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Uvebs reivindica providências urgentes para o combate do aedes aegypti na Baixada

Em quase quatro meses, número de casos notificados nas nove cidades já é 80% maior que o total de 2020

A União dos Vereadores da Baixada Santista (Uvebs) vai encaminhar ofício aos prefeitos da região solicitando providências urgentes para o combate à proliferação do mosquito aedes aegypti, nas nove cidades (Bertioga, Cubatão, Guarujá,  Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe, Praia Grande, São Vicente e Santos). A preocupação dos parlamentares se dá em razão da alta nas notificações sobre casos de dengue e chikungunya. De acordo com levantamento feito junto às Secretarias de Saúde nos municípios, de 1º de janeiro a 15 de abril deste ano, foram 15.048 notificações. O número já é 80% maior do que o total de notificações registradas durante todo o ano de 2020 (8.328).

O envio do ofício cobrando ações do poder executivo foi deliberado pelo colegiado, durante reunião virtual extraordinária, que ocorreu na última sexta-feira, dia 16. Na ocasião, vereadores de diferentes cidades externaram suas preocupações comuns. Entre as principais dificuldades elencadas, o monitoramento de residências de veraneio, que ficam fechadas por mais tempo, por conta da pandemia; a falta de carros e pessoal para a aplicação do “fumacê”; e o atendimento e diagnóstico de infectados, com sintomas que se assemelham aos da COVID-19.

Além de expor as dificuldades, o grupo ouviu um especialista, o biólogo, Carlos Peçanha, que realizou uma análise completa sobre a situação das cidades da Região. O estudo já foi apresentado à diretora-técnica do Departamento de Saúde da Baixada Santista, Paula Covas. O diagnóstico exibido aos vereadores trouxe a importância de um monitoramento inteligente, para que as ações preventivas fossem mais efetivas.

De acordo com o especialista, o sistema usado atualmente pelas prefeituras leva, em média, 60 dias para detectar as áreas mais comprometidas e onde há maior proliferação dos mosquitos. “Esse sistema é ineficiente, pois em 10 dias a fêmea consegue reproduzir até 250 novos mosquitos. O sistema precisa ser mais rápido”, disse o biólogo.

Peçanha explicou que existe uma tecnologia, com auxílio de radar, que consegue identificar as áreas onde os mosquitos se concentram e, por amostragem, é possível examinar quais são os transmissores dos diferentes vetores: dengue, zika vírus, ou chikungunya.

O sistema é privado e, segundo ele, já foi contratado por cidades como Araraquara (SP) e Juazeiro do Norte (CE), locais onde houve redução de casos no comparativo entre 2019 e 2020. Ainda de acordo com o especialista, o investimento neste sistema gera economia aos cofres públicos. “Os trabalhos científicos mostram que para cada R$ 1,00 investido em sistema de monitoramento, o município deixa de gastar R$ 6,00, com atendimento aos pacientes”, destaca.

Para chegar a este cálculo, Peçanha considera o custo direto de monitoramento a cada caso da doença a US$ 162,00, contra o custo social, que engloba, além do custo direto em atenção básica, o afastamento do trabalho, o tempo de cuidado familiar requerido, os medicamentos e a compensação da produtividade perdida, que, por caso pode chegar a US$ 537,00.

Outra questão abordada pelo especialista foi relacionada à mão-de-obra e equipamentos para este trabalho. “Com a contratação do serviço, há, além da tecnologia, equipes completas e treinadas para executar estas atividades com equipamentos próprios”.

Em nome da diretoria, a vice-presidente da Uvebs, vereadora Audrey Kleys (Progressistas/Santos) destacou a necessidade de se tomar uma atitude com relação aos números. “Além da gravidade da pandemia de Covid-19, agora estamos nos deparando com uma epidemia de dengue e chikungunya na região e, por isso, precisamos evitar a superlotação das unidades de saúde. Recomendamos que algo seja feito de forma urgente e, se não for este sistema, que seja outro, mas que possa fazer com que haja prevenção de novos casos, pois esta é a única solução”.

UVEBS 

Criada em 2010 para congregar os vereadores das nove cidades da Baixada Santista — Bertioga, Cubatão, Guarujá, Itanhaém, Mongaguá, Praia Grande, Peruíbe, Santos, São Vicente — a União dos Vereadores da Baixada Santista (Uvebs) representa os 136 vereadores, que atuam pela Região — localizada no Litoral de São Paulo — com mais de 1,8 milhão de habitantes.

O grupo visa fortalecer os municípios de forma metropolitana e trazer soluções a questões comuns às cidades, por meio de interlocução política, inclusive com outros entes dos poderes Estadual e Federal.

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Christiane Disconsi Ver tudo

Christiane Disconsi é jornalista, cientista política, pós-graduada em Marketing Digital e beer sommelière, certificada pelo Senac. Tem passagem como editora-chefe de jornal impresso e sólida experiência em PR, com destaque para a área política/governamental.

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